Um pouco de passado no presente
O resgate do analógico no auge da era digital
Lado A e lado B
Apesar do céu limpo e do sol imponente, o vento sul castigava Florianópolis naquela quarta-feira. Belo dia para pegar uma praia e ficar só observando o mar, sem coragem para entrar na água provavelmente fria, mas, Abel precisava exercer seu ofício. Seleciona alguns dos 4 mil exemplares que tem e parte para a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Já fazem quatro anos que monta sua barraquinha de discos de vinil na feirinha da instituição, que acontece religiosamente toda quarta-feira em frente a Reitoria, e dura das 7h até o horário que quem expõe quiser ficar por ali.
Quem já passou pelo conglomerado de barracas dos mais diversos tipos, com certeza já ouviu um dos discos do vendedor. Ao som de Bob Marley e The Wailers cantando na vitrola de Abel, uma estudante se aproxima, escolhe um disco duplo do Bee Gees, famosa banda pop dos anos 70. Paga 40 reais nele. O vendedor atribuiu o sucesso de vendas para o público jovem por alguns "terem
uma cabeça mais para frente, entende? Tá um pouco mais além da maioria dos jovens que estão ali presos no celular, [quem compra] realmente gosta de música ou então teve influência da família, dos pais”. Essa inspiração vinda de parentes é o caso de Leticia Schlemper, estudante da UFSC, que também coleciona discos de vinil. “Meu pai colecionava. Sempre amei ficar vendo os vinis que ele tinha”.
Por quaisquer que sejam os motivos, é fato que o comércio dos discos está bem vivo. A Associação Americana da Indústria de Gravação levantou que em 2022, pela primeira vez na história, as vendas de vinil superaram as de CD, com uma diferença de 8 milhões de unidades vendidas entre um e outro. E isso se refere somente aos discos novos ou comprados em lojas especializadas, sem considerar pequenos negócios como o do Abel e as vendas entre colecionadores.
Muito da ascensão dos vinis e do sucesso de vendas no ano passado se dá por conta da preferência dos consumidores, que buscam adquirir peças novas para formar coleções. Mas, é preciso considerar o contexto disso tudo. O vinil é uma mídia física, diferente dos aplicativos de música atuais, que proporcionam todas as faixas dentro de um mesmo aparelho. Em 2021, a agência We Are Social levantou que existem 4,66 bilhões de usuários conectados na internet. Dentro desse número, se encontram 500 milhões de usuários ativos mensalmente no Spotify, maior streaming de música do mundo.
Então, por quê voltar ao passado? Se existe a possibilidade de assinar um aplicativo com centenas de milhares de canções prontas para serem ouvidas, tudo pela bagatela de 19,90 ao mês, qual o sentido de garimpar e comprar LPs?
Os pesquisadores da área do “Design Afetivo”, Eluanna Pereira Rogério Zanetti, realizaram um levantamento onde 95% dos entrevistados responderam que o consumo da mídia física ultrapassa a interação de puramente consumir música, agregando valores estéticos, simbólicos e culturais. Esse desejo de aproximação com o que é palpável parece fazer sentido em uma era onde tudo é imerso em tecnologia.
"Além do fato de ser uma mídia física, que você pode palpar, tem artes na capa dos discos, é mais do que só música"
Ao som de “Is this love”, de Bob Marley, Abel mostra orgulhoso o disco duplo do Bee Gees escolhido pela cliente. “Isso aqui é lindo, olha a qualidade dessa capa”. Depois, pega um do Led Zeppelin, esse com um disco só. A capa é preta, com os quatros integrantes da banda ao fundo e a logomarca do grupo ocupando a maior parte do espaço. No meio do LP, fica uma lista com todas as músicas do álbum. O vendedor olha admirado para as artes. Sem dúvidas, acredita que os discos proporcionam muito mais do que uma boa música.
Para Letícia, além de lembrar o pai, hoje em dia o interesse por discos de vinil ainda serve como um date com o namorado. “É um vício do meu namorado também, a gente sempre acaba indo nos sebos para ver se tem alguma coisa”. O curioso, é que o casal divide o mesmo toca-discos - e não, eles não moram juntos. Infelizmente não existem dados concretos sobre o cenário brasileiro, mas uma pesquisa feita pela Luminate, em 2022, mostrou que 50% dos estadunidenses que compram discos sequer possuem um aparelho para ouvi-los. Considerando que o poder de compra dos cidadãos norte-americanos é maior do que dos brasileiros, vale a seguinte comparação: aqui no Brasil, uma vitrola custa de R$ 160,00 até R$ 10 mil, o que poderia explicar a possível existência de um dado similar em terras tupiniquins.
Provavelmente, você já ouviu falar que o som da vitrola é superior aos aparelhos totalmente eletrônicos, e isso não é mentira. Outro fator que pode ser destacado como um possível responsável pela busca de vinis atualmente é a forma de produção do disco, que reflete na qualidade do áudio. Enquanto hoje é possível gravar uma música sem sair de casa com mixagens já prontas, o vinil requer um estúdio, uma gravação em tempo real e instrumentos.
“Ele [o vinil] tem uma sonoridade diferente e que agrada as pessoas. Além do fato de ser uma mídia física, que você pode palpar, tem artes na capa dos discos, é mais do que só música”, explica Roque, sonoplasta, especialista em áudio e colecionador de vinis. Para ele, um dos principais motivos que fazem as buscas por vinis aumentarem, e que colaboram para que as indústrias continuem fabricando, é o fato de ser muito difícil uma pessoa produzir seu próprio LP. “A indústria do disco é uma maravilha! Porque é praticamente impossível uma pessoa produzir um vinil, você pode copiar o conteúdo para outro meio, mas produzir um vinil não”.
Abel em sua barraquinha de discos. Ele vende na feirinha da UFSC há quatro anos.
Abel em sua barraquinha de discos. Ele vende na feirinha da UFSC há quatro anos.
Com relação a produção de vinis, existem diversos tipos de discos que são fabricados, mas dois deles são os mais populares, sendo o LP original na cor preta ou, tendo os tamanhos variando entre 7, 10 e 12 polegadas, de acordo com a produtora Vinyl Lab. Quanto ao custo para a produção por unidade, o valor pode chegar a R$ 20, enquanto a produção de um CD, que foi o sucessor do vinil, custava em média R$ 3 por unidade.
Apesar do alto valor de produção quando comparado com o CD, o vinil não deixa de ser procurado pelos consumidores e o valor de produção compensa na hora da venda das unidades, diferente do seu sucessor. Isso porque não há um preço específico definido para a comercialização, dependendo do artista do vinil, as obras e fotografias na capa e ainda se o exemplar possui assinatura do artista. “O valor depende da história de cada disco. Uns valem mais, outros menos, levando em
consideração a procura, pois uns são raros de aparecer e depende muito também da crítica que o disco obteve na época do lançamento”, conta Abel.
Quando pensamos no lado do consumidor, não ter um preço fixo para a comercialização pode ser um problema, já que alguns são vendidos por valores exuberantes. “Álbuns atuais em vinil custam em torno de 200 reais, então tenho que selecionar bem qual quero comprar”, explica Letícia. “Analiso capa, encarte, cor do disco e as músicas, para ver se vale a pena a compra”. Se tratando de discos novos, lançados por artistas que dominam as paradas atuais, os preços podem ser ainda maiores do que os clássicos do século XX. O vinil de “Happier than ever”, álbum lançado em 2022 pela cantora Billie Eilish, pode ser encontrado online por R$ 270, bem acima da média de muitos discos da coleção para venda de Abel.
Vídeo: Letícia Schlemper
Vídeo: Letícia Schlemper
Foto: Letícia Schlemper
Foto: Letícia Schlemper
Alguns dos discos de Letícia. Foto: Letícia Schlemper
Alguns dos discos de Letícia. Foto: Letícia Schlemper
Streaming x vinil
Com o avanço das tecnologias, é possível ter uma informação ou produto a distância de um clique. Seja uma simples compra de supermercado, um livro que você gosta e até mesmo o carro dos sonhos, tudo isso pode ser feito pela internet e sem sair de casa.
Essa praticidade e imediatismo que as tecnologias proporcionam hoje, nos levam a pensar que as tecnologias do passado estão deixando de serem buscadas pelos consumidores. Por exemplo, o CD é uma sucessão do vinil e os apps de streaming são as sucessões dos CDs, uma vez que hoje é possível fazer o download de músicas instantaneamente ou acessá-las por meio das plataformas deste nicho.
Porém, mesmo o cenário atual caminhando cada vez mais para a superação das antigas tecnologias, há consumidores que não enxergam essa relação do streaming com o vinil como uma relação de desfavorecimento e aproveitam o melhor das tecnologias.
“Hoje consumo muito streaming de música, como o Spotify e geralmente quando busco por um vinil é de um artista que gosto ou de algum álbum que ouvi no app de streaming”, afirma Letícia.
Além disso, a estudante enxerga as duas opções de reprodução de música como momentos diferentes. “Quando coloco o disco para tocar, estou num momento mais tranquilo, paro tudo para sentar e ouvir a música. Já com o streaming é diferente, pois sempre que faço coisas de rotina, como a janta aqui em casa, estou no streaming ouvindo a música”. Abel compartilha do mesmo sentimento da estudante, para ele, o vinil demanda uma maior atenção para ser devidamente apreciado. “Você tem a maior percepção no sentido de audição, pensa na luz, por exemplo, se você estiver no escuro, quanto mais tempo você fica, você vai começar a perceber as sombras dos objetos, você não vai se bater nas coisas,e a música do vinil é igual. Se você começar a prestar atenção no som, você verá que tem diferença”, explica.
Assim como aponta Letícia, outros consumidores enxergam essa relação do antigo com o atual como uma coexistência, e acreditam que uma tecnologia pode dividir o mesmo espaço com a outra. Para Roque, o fato do streaming proporcionar a música no momento imediato ao ouvinte, não necessariamente garante que a experiência vai ser boa como a do vinil, onde se é necessário escutar a música que está sendo tocada, além também da praticidade que o vinil oferece.
Se forem analisados tanto o vinil, quanto o streaming, dá para dizer que apesar da praticidade do streaming, para ser utilizado, ele depende totalmente da internet, seja para baixar sua música favorita, ou para buscar por uma música que deseja ouvir no momento. Ou seja, em um momento que o consumidor não tenha acesso a uma rede WiFi ou a internet móvel do celular, o app de streaming praticamente perde toda sua função. Problema que não é enfrentado pelos amantes do vinil. “O vinil é uma tecnologia simples, você precisa apenas do tocador, que nada mais é que uma agulha presa a uma haste, que através de contato com o disco gera o som”, explica Roque. E completa dizendo sobre a perspectiva da reprodução do vinil no futuro, “daqui a 200 anos acho que vai ser mais fácil reproduzir um vinil do que um CD ou música em um pen drive, porque se você tiver uma agulho e uma haste para prendê-la, você já tem seu som”.
Esse é um exemplo de toca-discos. Não é o mesmo usado nos anos de ouro dessa mídia, mas uma versão mais moderna.
No centro, fica encaixado o disco. A música é gravada no LP através de pequenas ranhuras, que são as ondas sonoras da melodia. Literalmente, a canção é desenhada no material. Todo disco tem o lado A e o lado B, com gravações diferentes em cada um.
A agulha que é responsável pela mágica acontecer.
Ela lê os desenhos das ondas sonoras e reproduz a música, traduzindo os microrrelevos em vibrações.
E tem muita tecnologia por trás.
A base onde fica o disco gira por meio de uma correia propulsora ligada a um motor elétrico. Nesse mesmo sistema, as informações são passadas da agulha para os auto-falantes, emitindo o som das músicas.
De volta para o filme
Seja polaroid, instantânea, com apetrechos eletrônicos ou puramente mecânicos, talvez até produzida em casa. Lado a lado com toda a lógica de consumo do vinil, estão as câmeras analógicas. Se hoje o acesso a milhares de álbuns é facilitado com um único aplicativo, a fotografia parece mais banal ainda. Essa história toda começa lá em 1830, na França, com a criação da câmara escura. Nada mais era do que um caixa com uma placa de estanho e um orifício em uma de suas faces, por onde a luz entrava. Esse aparato permitia que a imagem invertida captada pela luz fosse gravada na placa, com um intervalo de tempo que levava horas.
Muita coisa mudou em quase dois séculos. No Brasil, ainda nos anos 80 ou 90, era raro quem tivesse condições de comprar uma câmera analógica. A digital já existia, foi criada em 1975 pela Kodak, mas o custo para adquirir uma dessas era alto.
Em 2023, já temos aparelhos como o IPhone 14 Pro Max, eleito com a melhor câmera em smartphones deste ano, com lentes diversas que se igualam a aparelhos profissionais. O primeiro celular com câmera foi lançado em 2000, era o J-SHO4, da empresa japonesa Sharp, com resolução de 0.3 megapixels. Só que, como quase tudo em relação à tecnologia, a fotografia avançou bem rápido.
Tudo isso para que, contemporânea a estrondosa vendas de IPhones, exista firme e forte uma paixão crescente pelas fotografias analógicas. No Instagram, por exemplo, a hashtag “film”, usada para marcar fotos tiradas em filme, possui incríveis 81,3 milhões de posts. A “filmphotography”, que tem o mesmo objetivo, foi marcada em 39,7 milhões de postagens. E poderia ser uma comunidade cheia de entusiastas que viveram a época onde essa era a única tecnologia, mas os perfis com mais acessos, como o do britânico Daniel Casson, que tem quase 130 mil seguidores, são majoritariamente de pessoas jovens.
Sthefany Martins, de 22 anos, estudante do curso de graduação em jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), é parte dessa nova geração que encontrou no filme um novo sentido para produzir fotografia. “A fotografia analógica sempre foi meio distante para mim, até mesmo pela questão do custo dos equipamentos. Mas, agora com a aula de ‘estudos avançados em fotojornalismo’ que faço no curso, tive a oportunidade de mergulhar nesse mundo da foto analógica e tenho me interessado cada vez mais”, afirma a estudante.
Apesar da acadêmica de jornalismo já ter uma experiência com o mundo da fotografia, por trabalhar com isso, grande parte da sua experiência se dá com câmeras digitais e para ela, a questão da fotografia analógica é um pouco mais especial, pois demanda mais técnica e cuidado na hora do clique. “Não desmerecendo a foto digital, mas a fotografia analógica requer um pouco mais de atenção, uma estratégia na hora de fotografar, já que você só tem acesso ao resultado depois de revelar a imagem”, completa Sthefany.
O número de buscas por câmeras analógicas e pela prática da fotografia analógica ter apresentado um aumento considerável nos últimos anos levanta uma dúvida: o que leva essas pessoas a mergulharem nessa nostalgia do passado com as câmeras analógicas?
Para o professor do departamento de jornalismo da UFSC e especialista em câmeras fotográficas, Fernando Crocomo, o que pode explicar essa busca pelas câmeras analógicas é uma espécie de fuga do padrão que ela proporciona. “Hoje em dia atingimos níveis altos de perfeição com a imagem e cores e não temos mais para onde ir. Um smartphone hoje consegue fazer uma imagem com altíssima qualidade e definição e acho que as pessoas estão querendo experimentar a liberdade de fazer fotos diferentes e fora de um certo padrão de qualidade cobrado atualmente”, explica o especialista.
Além disso, outro fator que influencia as pessoas a buscarem fotos digitais é a possibilidade de ter a imagem física. “As pessoas gostam de ver as fotos e ficar olhando só para as telas, às vezes cansa. Muitos ainda fazem algumas fotografias, usam aquelas polaroids para fazerem fotos e guardarem de recordação, pois isso tira as imagens só dos smartphones e computadores”, afirma Fernando.
Contudo, o que parece ficar claro é que apesar de tanto avanço, as tecnologias mais antigas e as mais atuais irão continuar lado a lado, coexistindo, porque as pessoas acabam querendo sentir um gostinho do passado.
Analógicas versus digitais
Desde quando a fotografia foi inventada em 1826 pelo francês Joseph Niépce, fotógrafos profissionais, amadores ou simplesmente os amantes da fotografia, buscam qualidade e definição para obter registros fotográficos cada vez melhores.
Assim como nos casos da música e dos filmes, a tecnologia trouxe avanços para o modo de capturar imagens com a invenção das câmeras fotográficas, em 1839, pelo também francês, Louis Jacques Mandé Daguerre, com um instrumento considerado a primeira câmera fotográfica da história, chamada de “Daguerreótipo” . Alguns anos depois, em 1888, a fotografia viria a se tornar ainda mais popular no Século XIX, com a criação da marca kodak (em atividade ainda hoje), a responsável pela fabricação da primeira câmera comercializada, sendo ela a Pocket Kodak, que era vendida pelo valor de US$ 5.
Cinco anos após o lançamento da Pocket Kodak, em 1900, a marca lançava um outro exemplar de câmera, chamada Kodak Brownie, que viria a ser um sucesso de vendas maior do que sua antecessora, por ser mais barata, sendo comercializada por apenas US$ 1. A marca utilizou o sucesso das primeiras câmeras para lançar outras diferentes e até fabricou o primeiro filme fotográfico a cores.
Cerca de 75 anos dos primeiros primeiros lançamentos da Kodak, a forma de capturar imagens seria revolucionada mais uma vez com a criação das máquinas fotográficas digitais, em 1975, feita também pela Kodak. Desde a criação das máquinas digitais, a qualidade das fotografias tem sido cada vez mais esperadas por fotógrafos profissionais e amadores, fato que fez com que até mesmo os smartphones de hoje tenham autonomia e qualidade suficiente para capturarem imagens com uma qualidade semelhante a de câmeras digitais profissionais.
Há algumas características principais que diferem os modelos de câmeras digital e analógica e que podem fazer a diferença na preferência do consumidor na hora de fazer sua escolha. De acordo com dados do blog Câmera Neon, a principal característica que as diferem é a forma de capturar a imagem, as câmeras digitais utilizam um sensor fotossensível que pode variar entre as tecnologias CCD, CMOS e outras. Já as câmeras analógicas, utilizam o filme fotográfico na captura de imagens, que armazena o que foi fotografado no filme, em negativo, sendo necessário revelar para ter acesso a imagem.
Pode-se dizer que em questões de vantagem, as câmeras digitais não requerem que seja revelada a imagem, permitindo aos fotógrafos o acesso imediato ao resultado do clique, além de armazenar aquilo que foi fotografado ou filmado, em um cartão de memória. Já no caso das câmeras analógicas, temos hoje as instantâneas, que ao invés de armazenarem as imagens, imprimem aquilo que foi fotografado na hora em que o clique foi realizado.
Existem vários jeitos de se fazer fotografia com filme e diversos tipos de câmeras.
Os filmes são compostos por cristais de haleto de prata, uma substância que é sensível à luz. Como é uma exposição direta, a claridade é uma questão primordial nesse estilo de fotografia.
Diferente da fotografia digital, aqui não existe um sensor que capta a luz. A lente expõe diretamente o filme a imagem que está sendo capturada. Essa exposição "imprime" a foto no rolo de filme.
E aí vem o negativo.
O filme é registrado como negativo, que leva esse nome pois as cores são captadas invertidas a imagem original. O processo de passar esse filme para o positivo, ou seja, revelar, é um tanto complexo e demanda uma estrutura adequada.
Alguns perfis para conferir
@loversonfilm
Perfil no Instagram de curadoria, com peças de fotógrafos de diversas nacionalidades.
@analogicasdacarol
Carol é produtora de conteúdo sobre fotografia analógica e dá dicas de como começar nesse mundo.
@filme_da_ana
Perfil da estudante Ana Beatriz Quinto, que tem a fotografia analógica como um hobby.
Na contramão da retomada
Contrário ao resgate retrô, os DVDs e Blu-Ray, mídias físicas conhecidas por gerações que se reuniam ao redor de televisores para assistir a algum filme ansiosamente aguardado, tentam sobreviver ao avanço da digitalização. Na era dos streamings, os usuários abrem as plataformas e dão de cara com um catálogo vasto de filmes, séries, documentários, desenhos animados e tudo o que há direito. Para alguns usuários, os streamings se assemelham a minas de ouro. Para outros, representam uma ameaça.
Patricia Iuva, professora no curso de Cinema da Universidade Federal de Santa Catarina e colecionadora, pertence ao segundo grupo e entende que preservar estas mídias físicas é como resguardar uma memória. “Particularmente, eu coleciono os DVDs e Blu-Ray porque eu quero ter eles para mim. Não existem mais locadoras e as plataformas de streaming removem os filmes a qualquer momento”. Em março deste ano, o setor das mídias físicas sofreu um grande impacto, a Cinecolor, empresa responsável por distribuir Blu-Ray e DVDs da Warner Bros, Paramount Pictures e Universal Studios, encerrou as atividades. O público que busca por estes produtos precisa recorrer a alternativas nacionais, em sites como Obras-Primas do Cinema e Versátil Home Video, ou internacionais, sendo submetidos a impostos e conversões de moedas.
Além da escassez de distribuição nacional, a falta de aparelhos que rodam estas mídias físicas é também um empecilho vivenciado. Para usufruir de sua coleção de aproximadamente 400 DVDs e Blu-Ray, Patricia recorre a convergência ao utilizar o Playstation 4, console dedicado a jogos digitais, para conseguir rodar as mídias físicas. “Há algum tempo já não se encontra mais esses aparelhos em lojas do Brasil. Os colecionadores ficam de olho em anúncios online, vez ou outra é possível encontrar algum aparelho mais antigo sendo vendido”, relata a colecionadora.
O avanço dos streamings representa ainda um outro problema para este nicho de mercado, a desatualização dos catálogos. Uma vez que o foco das produtoras está voltado a distribuição dos conteúdos nas plataformas online, são poucas as fabricantes e distribuidoras de DVDs e Blu-Ray que conseguem os direitos de produções audiovisuais recentes. Logo, grande parte dos filmes e séries produzidos e vendidos em mídias físicas são antigos. Segundo Patricia, os clássicos do cinema mantém um público interessado nos dias atuais, mas essa limitação deixa de atender um grande público que busca por essas produções recentes.
Como forma de driblar esse problema, alguns fabricantes adotam o sistema de pré-venda como garantia de que terá público interessado no lançamento daquele produto, assim como forma de levantar o dinheiro necessário para a produção. Se torna um processo semelhante ao financiamento coletivo, há a demanda e o responsável pela oferta precisa garantir esse público e viabilizar a produção. Além da mídia física em si, grande parte da experiência são os adicionais que acompanham os DVDs e Blu-Ray. “Não é só o filme, você tem entrevistas exclusivas, posters, um making-off diferente que agrega em toda essa experiência da compra”, complementa Patricia. Na pré-venda, os compradores pagam um valor inferior ao previsto para o lançamento.
A diferença entre DVD e Blu-Ray
Se você nasceu nasceu no século XX, entre os anos de 1995 à 2000, você tem a idade ou quase a mesma idade do DVD, já que a tecnologia foi lançada em 1995, em um acordo entre as empresas, Warner, Pioneer, JVC, Toshiba, Sony e Phillips. O DVD é uma tecnologia resultante de duas outras mídias lançadas pelas empresas acima, denominadas, Super Density (SD) e Multimedia Compact Disc (MMCD).
Pouco mais de três anos após seu lançamento, em 1998, o DVD já era um sucesso absoluto de vendas, tendo como destaque os filmes Titanic, lançado em 1998, e Matrix, lançado em 1999, de acordo com dados coletados pelo blog TecMundo, especializado em tecnologias de mídia. Em 2006, como forma de acompanhar os televisores que investiam em tecnologia e priorizavam a qualidade de imagem, o DVD passou por um avanço, uma espécie de atualização e passou a ser chamado de HD-DVD, buscando acompanhar a qualidade de imagem que já era obtida nas televisões do ano.
Quando comparado com o Blu-Ray, o processo de produção e desenvolvimento de ambas as tecnologias é basicamente o mesmo, porém, há algumas diferenças entre elas. De acordo com dados levantados pela Amazon, a principal diferença entre as tecnologias é que o DVD tem um espaço de 15 GB de armazenamento, o que equivale a quatro horas de gravação de filmes com menus, idiomas e animações. Enquanto o Blu-Ray, detinha uma capacidade de armazenagem cinco vezes maior que a do seu oponente.
Outra diferença entre eles é a questão da imagem e da interatividade, o Blu-Ray, comparado ao DVD é capaz de armazenar conteúdos com mais qualidade de imagem e maior definição, principalmente quando se trata de filmes e jogos. Esse favorecimento ao Blu-Ray, se deve ao fato de a mídia utilizar a tecnologia full HD, capaz de reproduzir conteúdos em 3D com uma maior definição, ao contrário do DVD que utilizava apenas a tecnologia HD.
Apesar das diferenças entre os dois, as características favorecem em grande parte o Blu-Ray. A principal que ainda poderia pender para o lado do DVD, é o custo de fabricação, já que as fábricas de DVD não necessitam ser modificadas para a produção da tecnologia, diferente do seu oponente.
A mídia Blu-Ray é 11 anos mais nova que o DVD, sendo lançada no ano de 2006, pela Sony, dois meses depois da atualização do DVD para HD-DVD. Assim como seu antecessor, a tecnologia Blu-Ray é fruto de uma colaboração de diversas empresas de mídia além da Sony, sendo elas, a Panasonic, Philips, Samsung e Sharp. E segundo a TecMundo, o nome “Blu-Ray”é proveniente do feixe de laser azul usado para ler e gravar os dados no disco.
Com relação às vendas do Blu-Ray, não foram muito diferentes do DVD, sendo também um sucesso desde seu lançamento e ainda mais favorecido por utilizar de outros aparelhos para ser reproduzido. Por exemplo, discos em Blu-Ray podem ser reproduzidos em consoles de games, como Playstation 2, 3, 4 e 5, que possuem tecnologias similares.
Apesar de não ter muitas fábricas produzindo ambas as mídias físicas atualmente, algumas pessoas ainda prezam pelo Blu-Ray e pelo DVD, como é o caso de Patricia. Seja apenas pela questão de colecionar as mídias, por acesso a títulos de sucesso ou por resgate de memórias.
